A banalização do batismo: seu sentido teológico e na tradição popular
Erick Labanca é graduando em Direito e autor de artigos teológicos, jurídicos e filosóficos.

"Naquele tempo, Jesus se manifestou aos onze discípulos e disse-lhes: “Ide pelo mundo inteiro e anunciai o Evangelho a toda criatura! Quem crer e for batizado será salvo. Quem não crer será condenado."
Marcos 16:15-16
O batismo é um sacramento imprescindível da Igreja Católica Apostólica Romana. É por ele que a pessoa entra em comunhão com a Santa Igreja e recebe a graça de Cristo. Todavia, atualmente ele se tornou banalizado. Seu desvirtuamento vem com as superstições e a má compreensão da doutrina da Igreja, muitas vezes seguida de maneira errônea.
Em um primeiro momento, é imperioso ressaltar a supersticiosidade por trás do batismo que muitos católicos possuem. Os pais batizam seus filhos ainda em tenra idade a fim de evitar “mau-olhado” e pela “proteção da criança”. Ocorre que essa compreensão é equivocada, visto que a Igreja, em seu Catecismo, possui como dogma a não adoção de superstições. O católico não pode ficar refém delas, visto que a própria Igreja professa isso em sua doutrina. Assim, esvazia-se a essência de um sacramento tão importante com base em heresias.
Outrossim, destaque-se a má compreensão do símbolo por trás do batizado das crianças. Santo Agostinho, em seu tratado sobre a graça, discorre brevemente acerca desse dom gratuito divino concedido nesse sacramento. As crianças, após a desobediência de Adão (em Gênesis), carregam o pecado original, necessitando da graça santificante mediante o batismo para lavarem esse erro do primeiro homem. Ademais, Santo Ambrósio de Milão, em sua obra Sobre o Sacramento, afirma, no mesmo sentido, a importância que batizar um ser humano possui para que o cristão entre em comunhão com a Santa Igreja, apague o pecado original e receba o Espírito Santo, confessando a Trindade. Todavia, apesar da questão dogmática e doutrinária que o ronda, os católicos leigos possuem uma má compreensão desse ato, ocasionando o seu desvirtuamento.
Portanto, o batismo é importantíssimo para a Igreja, pois faz com que a pessoa ingresse nela, apague o pecado original e receba a graça santificante do Pai, Filho e Espírito Santo, professando a fé na Santíssima Trindade. No entanto, a sua banalização é perigosa, porquanto se esquece, majoritariamente, da imprescindibilidade contida nele. Por isso, não se pode esvaziar esse mistério sagrado, pois se cria uma cultura cristã supersticiosa, contrária ao dogma da Santa Igreja, e compreensões heréticas sobre a fé católica.
Por fim, quando uma criança é batizada em nome da Santíssima Trindade, não há superstição de proteção ou evitar “mau-olhado”. O que ocorre, na realidade, é a salvação dela, que é agraciada em nome de Deus, fazendo com que ela ingresse na Igreja Católica e veja a face dEle na vida eterna.
Por Erick Labanca