A justificação pela fé: análise da Carta de São Paulo aos Romanos
Erick Labanca é graduando em Direito e escreve artigos jurídicos, filosóficos e teológicos.

“De fato, quando ainda éramos fracos, Cristo, no momento oportuno, morreu pelos ímpios. Dificilmente se encontra alguém disposto a morrer em favor de um justo; talvez haja alguém que tenha coragem de morrer por um homem de bem. Mas Deus demonstra seu amor para conosco porque Cristo morreu por nós quando ainda éramos pecadores. Assim, tornados justos pelo sangue de Cristo, com maior razão seremos salvos da ira por meio dele. 1Se quando éramos inimigos fomos reconciliados com Deus por meio da morte do seu Filho, muito mais agora, já reconciliados, seremos salvos por sua vida.”
Rm 5:6-10
I. Introdução:
A Carta de São Paulo aos Romanos nos mostra uma riqueza teológica gigantesca. Por ela, revela-se que somos salvos pela graça de Deus e respondemos com a fé em Jesus Cristo, não sendo a justificação obra humana, mas divina.
Assim, far-se-á neste texto uma análise, pequenas considerações e proposições, da Carta aos Romanos, escrita pelo apóstolo Paulo, em relação à salvação pela fé.
II. A Lei, per se, não salva:
Na carta, São Paulo afirma que a Lei (de Moisés), por si mesma, não conduz o homem à salvação. Ela revela o pecado, mas não salva o ser humano dele. Conforme o apóstolo:
“A Lei sobreveio para dar plena consciência da falta; mas, onde foi grande o pecado, foi bem maior a graça, para que, assim como o pecado havia reinado através da morte, do mesmo modo a graça reine através da justiça para a vida eterna, por meio de nosso Senhor Jesus Cristo.”
Rm 5:20-21
O que o apóstolo afirma é exatamente que a Lei Mosaica revela o pecado, mas, com isso, ela o eleva, tendo em vista que antes da Lei não se conhecia o pecado e ele não era imputado – todavia, ele já operava no mundo em virtude do pecado de Adão, que trouxe a morte –, mas com ela, ele superabundou e nos trouxe a transgressão dos mandamentos divinos (Rm 5:13).
Logo, a Lei, por si mesma, não salva o ser humano, mas, antes, revela o erro e aumenta o pecado por, anteriormente, os vícios não serem revelados. Assim, a Lei induz à própria transgressão ao invés de justificar o homem e a mulher.
III. A graça e a fé como salvação:
“O dom da graça, porém, não é como a falta. Se todos morreram devido à falta de um só, muito mais abundantemente se derramou sobre todos a graça de Deus e o dom gratuito de um só homem, Jesus Cristo. Também não acontece com o dom da graça, como aconteceu com o pecado de um só que pecou: a partir do pecado de um só, o julgamento levou à condenação, ao passo que a partir de numerosas faltas, o dom da graça levou à justificação. Porque se através de um só homem reinou a morte por causa da falta de um só, com muito mais razão reinarão na vida aqueles que recebem a abundância da graça e do dom da justiça, por meio de um só: Jesus Cristo. Portanto, assim como pela falta de um só resultou a condenação para todos os homens, do mesmo modo foi pela justiça de um só que resultou para todos os homens a justificação que dá a vida. Assim como, pela desobediência de um só homem, todos se tornaram pecadores, do mesmo modo, pela obediência de um só, todos se tornarão justos.
Rm 5:15-19
Por um só homem veio a morte e por um veio a vida. Adão, o primeiro homem, ao transgredir a ordem de Deus, trouxe-nos a morte. Sofremos, por causa dele, as tribulações do mundo, quais sejam: ganhar o pão com o suor do nosso rosto e as dores de parto das mulheres – dentre outras: morte, miséria e doenças.
São Paulo diz, no entanto, que o Cordeiro de Deus, imolado e ressuscitado, trouxe-nos a vida pela sua graça. Comparando Adão e o Cristo, ele afirma que, com a primeira transgressão, sofremos as consequências da morte; mas, com a morte de nosso Senhor, temos a salvação pela graça. Esta nos é concedida gratuitamente e nós respondemos com a fé no Filho, pelo Espírito Santo, fazendo com que cheguemos ao Pai.
O apóstolo quer dizer que não nos salvamos por méritos próprios ou pela estrita observância da Lei (de Moisés), todavia somos salvos pela graça e respondemos com a fé. Uma observação: a Lei Mosaica não foi abolida, mas Jesus Cristo veio para dar pelo cumprimento a ela em nossos corações pela graça.
Portanto, somos salvos pela graça divina e não por nossas obras. O mérito é sempre de Deus, jamais dos humanos. Estes respondem com a fé, porém quem nos justifica é Deus por meio da sua graça concedida gratuitamente.
IV. Conclusão:
Em suma, podemos concluir que a Lei, por si mesma, não salva. A graça concedida de forma gratuita por Deus é que nos justifica se respondermos com a fé no Filho, Cordeiro de Deus imolado por nossos pecados. Antes da Lei, não conhecíamos o pecado, apesar de ele já estar presente no mundo, mas, conhecendo-o, nós transgredimos os mandamentos.
Todavia, com a morte e ressurreição de nosso Senhor, o pecado foi morto na carne. Fomos sepultados para este mundo e ressurgimos em Cristo. Assim, somos gratificados pelo nome do Filho e devidamente justificados para a vida eterna.
Por Erick Labanca