Cultura

A Política do Trauma e a Desconstrução da Ordem Católica

O trauma das grandes guerras foi instrumentalizado como método político e religioso para justificar a ruptura da ordem moral católica e a adesão eclesial ao projeto mundialista. Diante dessa engenharia de consciência, emergiu a resistência de clérigos e leigos que defenderam a integridade da fé contra infiltrações internas. Hoje, cabe aos leigos continuar essa defesa, amparando os fiéis diante da persistência dessas ameaças.

GPor Gabriel Sapucaia
7 de fev. de 2026100 Visitas
A Política do Trauma e a Desconstrução da Ordem Católica

O século XXI é considerado, em muitos aspectos, como a — entre aspas — superação de uma grande ressaca pós-luto das grandes guerras. Em razão do trauma, especialmente da Segunda Guerra Mundial, não faltaram humanistas dispostos a levantar a bandeira da utópica “paz mundial”. Esse fenômeno não ficou restrito ao campo lógico dos não clérigos, mas foi inclusive promovido pelo alto escalão eclesiástico, evento este conhecido e concebido no Concílio Vaticano II.

A mudança de consciência, entretanto, deu — e continua dando — sinais de tratar-se, na verdade, de um processo de engenharia comportamental mediante o trauma e a constante recordação do mesmo em nível religioso. Os males da guerra, aos poucos, tornaram-se o princípio justificativo de todo o abandono do “antes” em favor do “hoje”, não apenas — e às vezes nem isso — em seu aspecto ideológico (socialismo, fascismo, nacional-socialismo), mas também no plano moral.

Se a moral do século da guerra era predominantemente católica, passa-se então a colocá-la em dúvida, e isso de modo sucessivo, até que a Igreja, que já não era obedecida, passa a integrar o movimento mundialista, não como autoridade, mas como colaboradora.

Nenhuma grande mudança, contudo, se dá sem oposição. E pode-se afirmar que, sem o heroísmo cristão de certos clérigos, muitos de nós — que, como eu, nos consideramos católicos integrais — ainda estaríamos na lama do modernismo, se não fosse por eles. Refiro-me a Dom Marcel Lefebvre, Dom Antônio de Castro Mayer e seus apoiadores.

O século XX viu-se mergulhado em uma verdadeira trincheira ideológica e religiosa. No campo ideológico, o capitalismo e o socialismo influenciaram fortemente o comportamento cristão, enquanto os católicos integrais resistiam firmes a toda essa avalanche, tendo de enfrentar inclusive tentativas internas de subversão, como foi o caso das infiltrações dos discípulos do grande mestre islâmico Frithjof Schuon, respectivamente Rama Coomaraswamy e Jean Borella.

Mas Deus nunca permitiu que um grande herege ficasse sem um grande rival católico. Entram então em cena dois paladinos auxiliares de Dom Lefebvre: Jean Vaquié e Étienne Couvert. Eles desmascararam a seita de Schuon e deixaram esse trabalho como herança nos cadernos da Sociedade Augustin Barruel.

Atualmente, esses mesmos inimigos continuam nos arredores da Igreja e, como leigos — não podendo resolver diretamente os problemas clericais —, ainda assim podemos resolver muitos dos problemas que afetam nossos irmãos na fé.

Contem comigo.

Prof. Gabriel Sapucaia