Formação e Doutrina

A união trinitária de Deus na economia da Salvação: análise do Evangelho segundo São João

Erick Labanca é graduando em Direito e autor de artigos teológicos, filosóficos e jurídicos.

JPor João Jorge Neto
26 de mar. de 202617 Visitas
A união trinitária de Deus na economia da Salvação: análise do Evangelho segundo São João

Naquele tempo, disse Jesus aos judeus: 51 "Em verdade, em verdade, eu vos digo: se alguém guardar a minha palavra, jamais verá a morte". 52 Disseram então os judeus: "Agora sabemos que tens um demônio. Abraão morreu e os profetas também, e tu dizes: 'Se alguém guardar a minha palavra jamais verá a morte'. 53 Acaso és maior do que nosso pai Abraão, que morreu, como também os profetas? Quem pretendes tu ser?". 54 Jesus respondeu: "Se me glorifico a mim mesmo, minha glória não vale nada. Quem me glorifica é o meu Pai, aquele que vós dizeis ser o vosso Deus. 55 No entanto, não o conheceis. Mas eu o conheço e, se dissesse que não o conheço, seria um mentiroso, como vós! Mas eu o conheço e guardo a sua palavra. 56 Vosso pai Abraão exultou, por ver o meu dia; ele o viu, e alegrou-se". 57 Os judeus disseram-lhe então: "Nem sequer cinquenta anos tens , e viste Abraão!?" 58 Jesus respondeu: "Em verdade, em verdade vos digo, antes que Abraão existisse, eu sou". 59 Então eles pegaram em pedras para apedrejar Jesus, mas ele escondeu-se e saiu do Templo.

Jo 8:51-59

 

I. Introdução

O Evangelho de hoje é o de São João. Analisar-se-á o capítulo 8, versículos 51 ao 59, de acordo com a dogmática e a teologia da Santa Igreja Católica Apostólica Romana.

 

II. Vv. 51-56:

Jesus afirma que quem guardar sua palavra, jamais verá a morte – significando que quem receber a graça, terá a vida eterna, vendo a face do Pai. Esse trecho diz sobre “guardar a palavra” no sentido de praticar boas obras – como a caridade e o amor ao próximo –, mas lembrando que isso só é possível devido à graça divina que inunda o coração do homem, que responde com a fé. Os judeus duvidaram, afirmando que Jesus estava possesso por um demônio, colocando-o abaixo de Abraão e dos profetas do Antigo Testamento (AT).

O Cristo, no entanto, diz que não vem por si próprio, mas pelo Pai, e é glorificado por Ele. O Pai envia o Verbo, que se encarna, para a salvação e redenção dos homens, para que o pecado seja morto e sepultado na carne e o Filho ressuscite para a vida eterna. Quando Jesus disse que conhece Deus Pai, afirma que é consubstancial a Ele, enquanto gerado por este eternamente, sempre estando com o Pai – como se este fosse o sol e Jesus sua luz.

Outrossim, no versículo 56, Abraão viu o Verbo e sua promessa, vislumbrando a salvação futura pela paixão e ressurreição do Filho.

 

III. Vv. 57-59:

Os judeus questionam, duvidando do Filho benquisto, que ele não conhece Abraão em virtude de sua pouca idade. Contudo, Jesus afirma que antes de Abraão ser, Ele é (“Eu Sou”). É notório, nesse trecho, que Jesus é o Verbo que se encarnou, fazendo parte da Santíssima Trindade, estando desde o princípio com o Pai, sendo gerado por Ele e consubstancial a Ele.

Porém, os judeus creem ser absurda a ideia de Jesus identificar-se como Deus, tentando apedrejá-lo.

 

IV. Conclusão:

Ante o exposto, o Evangelho segundo São João, da data presente, apresenta uma profundidade mister: a economia da salvação, com a paixão e ressurreição do Cristo, e a Santíssima Trindade, Pai e Filho e Espírito Santo – apesar do último não aparecer explicitamente no presente Evangelho, surge implicitamente, como se o Pai fosse o agricultor, o Filho a videira verdadeira e o Espírito o orvalho da árvore da vida.

 

V. Oração final:

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

 

Por Erick Labanca