A Videira Verdadeira e o retorno à Árvore da Vida
Erick Labanca é graduando em Direito e escreve artigos na área jurídica, filosófica e teológica

1 “Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor. 2 Todo ramo que, estando em mim, não dá fruto, ele corta; e todo que dá fruto, ele limpa, para que dê mais fruto ainda. 3 Vocês já estão limpos, pela palavra que lhes tenho falado. 4 Permaneçam em mim, e eu permanecerei em vocês. Nenhum ramo pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira. Vocês também não podem dar fruto, se não permanecerem em mim.
5 Eu sou a videira; vocês são os ramos. Se alguém permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; pois sem mim vocês não podem fazer coisa alguma. 6 Se alguém não permanecer em mim, será como o ramo que é jogado fora e seca. Tais ramos são apanhados, jogados no fogo e queimados. 7 Se vocês permanecerem em mim, e as minhas palavras permanecerem em vocês, pedirão o que quiserem, e lhes será concedido. 8 Meu Pai é glorificado pelo fato de vocês darem muito fruto; e assim serão meus discípulos.”
Jo 15:1-8
I. A Videira Verdadeira e seus bons frutos:
Ao dizer que é a videira verdadeira, Jesus afirma que é a árvore da vida, cujo agricultor é Deus Pai. Há uma conexão entre a árvore do conhecimento do bem e do mal, que levou à queda de Adão, e o Cristo, que é a volta da harmonia com Deus. Por um homem, fomos levados à morte e pelo Filho do Homem, retornamos à vida, sepultando o pecado que habita em nós.
Mencione-se o trecho que diz: todo ramo que no Filho está, mas não dá fruto, não está nEle. Desse modo, Jesus quer significar que os que nEle estão, são os ramos, filhos adotivos do Pai, que dão bons frutos. Porém, o Pai limpa os ramos que na árvore estão para que dê mais frutos.
Desse modo, o Messias, falando enigmaticamente, afirma que a graça desce sobre o homem, tendo Ele como meio, para que seja mais puro, expurgando as impurezas do ser humano e o aproximando mais de Deus.
II. A graça, o Espírito Santo e a colheita:
Além disso, diz: ninguém pode ser salvo sem a graça do Pai e do Filho e do Espírito Santo, pois é esta graça que nos move para darmos bons frutos ou boas obras. Há estrita conexão entre graça, fé e obras, pois é por meio da graça, gratuitamente, que conseguimos nos transformar interiormente, responder com a fé e praticar boas obras.
Ademais, o Pai é o agricultor, o Filho é a árvore da vida e o Espírito Santo é a seiva vital dessa árvore. Apesar de o Espírito não estar explícito no Evangelho de São João, implicitamente Ele se encontra presente, pois sem ele, o Filho não nos concede a graça.
Portanto, quem nEle não permanecer, renegando-o, será jogado no fogo da geena. Contudo, quem der fruto mediante a graça do Filho, interiormente, será salvo. Isso significa que a graça é o dom gratuito de Deus que transforma o ser humano por dentro.
Quem age com hipocrisia, exteriormente mostra-se virtuoso – mas não interiormente –, não recebeu a graça. Assim, será jogado no inferno pelo Pai, o agricultor, pois a árvore não deu bons frutos.
III. Conclusão:
O Pai reconhece planta a raiz da árvore salvífica. Quem rejeitar ser ramo desta árvore da vida, será extirpado e jogado no fogo, pois são folhas secas que sequer deram fruto. Contudo, aqueles que se tornaram, verdadeiramente, parte da árvore, sendo ramos que dão bons frutos, serão glorificados na vida eterna.
Se por Adão perdemos nossa conexão e harmonia com Deus, por Jesus Cristo nós a retomamos, sepultando-nos e ressurgindo agraciados, aguardando a ressurreição da carne.
Por Erick Labanca