Assembleia Católica da Terra Santa condena profanação de imagem de Cristo por soldado israelense no Líbano
A Assembleia dos Ordinários Católicos da Terra Santa, em comunicado assinado pelo cardeal Pierbattista Pizzaballa, condenou a profanação de uma imagem de Jesus Crucificado por um soldado israelense em uma vila cristã no sul do Líbano. A entidade afirmou que o episódio se soma a outros casos relatados de desrespeito a símbolos cristãos por soldados do IDF e cobrou responsabilização imediata. Autoridades israelenses condenaram o ato e prometeram investigação.

A Assembleia dos Ordinários Católicos da Terra Santa condenou, nesta segunda-feira, 20 de abril de 2026, a profanação de uma imagem de Jesus Crucificado por um soldado israelense em Debel, vila cristã localizada no sul do Líbano. O comunicado, assinado pelo cardeal Pierbattista Pizzaballa, Patriarca Latino de Jerusalém, expressou “profunda indignação” e “condenação sem reservas” diante do ato, classificado como uma grave afronta à fé cristã.
O caso veio à tona após a circulação de uma imagem mostrando um soldado das Forças de Defesa de Israel atingindo uma representação de Cristo. Segundo a Reuters, a fotografia foi verificada e mostra o militar usando o lado cego de um machado contra a estátua, instalada em um pequeno santuário no jardim de uma família da região.
Para a liderança católica da Terra Santa, o episódio não deve ser interpretado apenas como um gesto individual de vandalismo. A Assembleia afirmou que a profanação “se soma a outros incidentes relatados de profanação de símbolos cristãos por soldados do IDF no sul do Líbano”, indicando um quadro mais amplo de desrespeito aos locais, símbolos e comunidades cristãs em meio à ofensiva militar israelense na região.
No comunicado, Pizzaballa também apontou o que chamou de uma preocupante falha de formação moral e humana. Para o Patriarcado Latino, mesmo em contexto de guerra, não há justificativa para a profanação de imagens sagradas, muito menos quando praticada por integrantes de uma força militar regular. A Assembleia pediu ação disciplinar imediata, processo crível de responsabilização e garantias claras de que esse tipo de conduta não será tolerado nem repetido.
A repercussão obrigou autoridades israelenses a se pronunciarem. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu condenou publicamente o ato e prometeu medidas disciplinares contra o soldado envolvido. O chanceler Gideon Sa’ar também se manifestou, enquanto o Exército israelense afirmou que a conduta do militar é incompatível com os valores esperados de seus soldados e anunciou investigação criminal, além da intenção de colaborar na restauração da imagem danificada.
A vila de Debel, de presença cristã, fica em uma área do sul do Líbano marcada por operações militares israelenses contra o Hezbollah. Mesmo após tratativas de cessar-fogo, moradores da região seguem relatando restrições de deslocamento, insegurança e dificuldades humanitárias.
O episódio reacende a preocupação das comunidades cristãs do Oriente Médio, que há anos vivem pressionadas por guerras, deslocamentos forçados e disputas geopolíticas. Para os católicos da Terra Santa, a profanação da imagem de Cristo não atinge apenas uma comunidade local, mas fere diretamente a dignidade religiosa dos cristãos e agrava a sensação de vulnerabilidade dos fiéis em uma região já marcada por sofrimento.
Ao encerrar sua manifestação, a Assembleia recordou que, apesar da violência simbólica contra a imagem, o significado da Cruz permanece intacto. Para os líderes católicos, a resposta cristã não deve ser a vingança, mas a exigência firme de justiça, respeito ao sagrado e proteção efetiva das comunidades cristãs que vivem em zonas de conflito.