Base governista derruba relatório da CPMI do INSS e trata resultado como vitória política
A base governista impôs uma derrota à oposição na CPMI do INSS ao rejeitar, por 19 votos a 12, o relatório final do deputado Alfredo Gaspar, encerrando a comissão sem parecer aprovado. Parlamentares alinhados ao Planalto comemoraram o resultado como vitória política, após articularem nos bastidores para barrar um texto que previa mais de 200 indiciamentos e atingia nomes sensíveis ao governo.

A CPMI do INSS terminou na madrugada deste sábado, 28 de março, sem relatório final aprovado. O parecer do relator, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), foi rejeitado por 19 votos a 12, encerrando sete meses de investigação sem um documento oficial de conclusão.
Logo após a apuração, o presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), decidiu encerrar os trabalhos sem submeter a voto o relatório alternativo apresentado pela base governista. Com isso, a comissão acabou sem texto final aprovado, embora os dois lados tenham anunciado que pretendem encaminhar seus documentos a órgãos de investigação e controle.
O texto derrotado de Alfredo Gaspar propunha o indiciamento de 216 pessoas por suspeitas ligadas às fraudes em benefícios de aposentados e pensionistas. Entre os nomes citados estavam Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, o banqueiro Daniel Vorcaro, o ex-ministro Carlos Lupi e o empresário Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.
A rejeição do relatório foi imediatamente tratada por parlamentares pró-governo como uma vitória política. O Poder360 registrou que a base aliada comemorou o resultado e apontou atuação do Planalto nos bastidores para derrotar o parecer. Já o senador Jaques Wagner (PT-BA), um dos votos contrários ao relatório, afirmou publicamente que, embora a comissão tenha chegado ao fim, a busca “pela verdade e por justiça” continuaria.
Entre os parlamentares que votaram contra o parecer de Gaspar estavam nomes alinhados ao governo ou próximos da sua base, como Randolfe Rodrigues, Jaques Wagner, Humberto Costa, Alencar Santana, Paulo Pimenta, Lindbergh Farias e Rogério Correia. A votação consolidou a maioria governista e isolou a oposição no momento decisivo da comissão.
Do lado governista, o argumento foi o de que o relatório rejeitado tinha viés político e deixava de mirar com profundidade o núcleo que, segundo eles, teria estruturado o esquema durante o governo anterior. Por isso, a base elaborou um relatório paralelo que apontava Jair Bolsonaro entre os alvos e que, segundo Paulo Pimenta, será encaminhado à Polícia Federal mesmo sem ter sido votado pela CPMI.
Na prática, o desfecho representou um alívio para o Palácio do Planalto e para seus aliados no Congresso, ao barrar a aprovação de um parecer que atingia diretamente o filho do presidente Lula e outros nomes politicamente sensíveis. Ao mesmo tempo, a comissão terminou esvaziada institucionalmente, sem produzir um relatório final capaz de falar em nome do colegiado.