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Cardeal Pizzaballa celebra paixão de Cristo, na Igreja do Santo Sepulcro, com portas fechadas

O fechamento da Igreja do Santo Sepulcro por autoridades do Estado de Israel não é um episódio banal. Trata-se de um fato que rompe um padrão histórico milenar — e justamente por isso exige ser dito com clareza, já que expõe o projeto de eliminar a presença cristã da Palestina.

RPor Rafael Queiroz
4 de abr. de 20265 Visitas
Cardeal Pizzaballa celebra paixão de Cristo, na Igreja do Santo Sepulcro, com portas fechadas

Mesmo em períodos de domínio hostil, como sob os Turcos Seljúcidas no século XI, o que houve foram restrições, tributos, dificuldades. Isso já foi suficiente para alimentar a indignação que desembocaria nas Cruzadas. Ainda assim, não se registra, como política típica e reiterada, o fechamento direto do principal santuário da cristandade.

É precisamente aqui que está a ruptura: um Estado moderno, que se apresenta como garantidor de liberdades, adota uma medida que nem regimes pré-modernos, em contextos de conflito religioso muito mais explícito, tornaram regra. O contraste é gritante.

Mais do que um episódio isolado, o gesto se insere num contexto que vem se tornando cada vez mais difícil para os cristãos na Terra Santa. Multiplicam-se relatos de hostilidade, vandalismo contra igrejas, pressões administrativas e tensões constantes envolvendo comunidades cristãs locais. O que antes poderia ser tratado como incidente pontual começa a assumir contornos de tendência.

Há aqui um deslocamento silencioso, mas profundo: a presença cristã em Jerusalém, já minoritária, passa a experimentar não apenas marginalização demográfica, mas também constrangimentos concretos ao seu culto e à sua memória histórica.

O fechamento do Santo Sepulcro, nesse cenário, deixa de ser um fato administrativo e se torna um símbolo.

Símbolo de quê? De que, pela primeira vez em muitos séculos, o principal lugar da fé cristã pode ser diretamente interditado por um poder estatal que, em teoria, deveria protegê-lo.

É nesse ponto que muitos recorrem à linguagem escatológica. Não por sensacionalismo, mas porque, historicamente, rupturas em Jerusalém sempre foram lidas como sinais de algo maior.

Independentemente da interpretação religiosa que se adote, o fato permanece: algo mudou — e não foi pouco. O que revela a intenção do Estado de Israel em eliminar a presença cristã da Terra Santa, processo acelerado desde o episódio da expulsão de palestinos cristãos do bairro de Sheik Jarra em Jerusalém no ano de 2021.