Formação e Doutrina

Casamento é sacramento: sobre a Castidade Conjugal e o Celibato

Erick Labanca Garcia é graduando em Direito e autor de artigos teológicos, jurídicos e filosóficos

JPor João Jorge Neto
26 de mar. de 202621 Visitas
Casamento é sacramento: sobre a Castidade Conjugal e o Celibato

1Passemos agora ao que vocês escreveram: “É bom que o homem se abstenha de mulher.” 2Todavia, para evitar a imoralidade, cada homem tenha a sua esposa, e cada mulher o seu marido. 3O marido cumpra o dever conjugal para com a esposa, e a esposa faça o mesmo com o marido. 4A esposa não é dona do seu próprio corpo, e sim o marido. Do mesmo modo, o marido nao é dono do seu próprio corpo, e sim a esposa. 5Não se recusem um ao outro, a não ser que estejam de comum acordo e por algum tempo, para se entregarem à oração; depois disso, voltem a unir-se, a fim de que Satanás não os tente por não poderem dominar-se. 6Digo isso como concessão, e não como ordem. 7Eu gostaria que todos os homens fossem como eu. Mas cada um recebe de Deus o seu dom particular; um tem este dom, e outro tem aquele.

1 Cor 7:1-7

 

I. Breve introito:

No presente texto, analisar-se-á a primeira Carta de São Paulo aos Coríntios, capítulo 7, dos versículos 1 ao 7, a fim de demonstrar que o sacramento do casamento não é banalidade, mas algo sagrado.

A finalidade é demonstrar que o casamento não é banal, mas sacramental. Ademais, o celibato, apesar de superior ao casamento pelo Concílio de Trento, não invalida o matrimônio, pois cada ser humano, digno da promessa divina, tem sua vocação.

 

II. A falsa contradição entre celibato e castidade conjugal: análise complementar da Carta de São Paulo aos Efésios:

São Paulo cita terceiros que afirmar ser bom o homem se abster de mulheres. Contudo, o apóstolo diz que cada homem tenha sua esposa e cada mulher o seu marido com o fito de evitar a imoralidade sexual. Diz, também, sobre o dever conjugal recíproco e acerca da união entre homem e mulher – o primeiro deixará pai e mãe e será uma só carne com a sua esposa (Gn 2:24). Escreve Paulo de Tarso, no último versículo, que nem todos são chamados à ordem, voto de castidade absoluta, mas alguns são chamados à castidade no matrimônio.

Em primeiro plano, urge mencionar o que o apóstolo diz em sua Carta aos Efésios:

 

22Mulheres, sejam submissas a seus maridos, como ao Senhor. 23De fato, o marido é a cabeça da esposa, assim como Cristo, salvador do Corpo, é a cabeça da Igreja. 24E assim como a Igreja está submissa a Cristo, assim também as mulheres sejam submissas em tudo aos maridos.25Maridos, amem suas mulheres, como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela; 26assim, ele a purificou com o banho de água e a santificou pela Palavra, 27para apresentar a si mesmo uma Igreja gloriosa, sem mancha nem ruga ou qualquer outro defeito, mas santa e imaculada. 28Portanto, os maridos devem amar suas mulheres como a seus próprios corpos. Quem ama sua mulher, está amando a si mesmo. 29Ninguém odeia a sua própria carne; pelo contrário, a nutre e dela cuida, como Cristo faz com a Igreja, 30porque somos membros do corpo dele. 31Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher, e os dois serão uma só carne. 32Esse mistério é grande: eu me refiro a Cristo e à Igreja. 33Portanto, cada um de vocês ame a sua mulher como a si mesmo, e a mulher respeite o seu marido."

Ef 5:22-33

O que Paulo faz, aqui, é uma analogia entre homem e mulher e Cristo e a Igreja. A Igreja é a esposa de Cristo, o corpo de Cristo e Ele é o cabeça dela. Assim, o homem é uma só carne com a mulher, sendo seu corpo; é, também, o cabeça da família, como Cristo, sendo o líder familiar; e a mulher é sua esposa, que o homem deve amar como Jesus Cristo amou sua Igreja Católica Apostólica Romana.

Outrossim, a mulher sendo feita como auxiliar do homem e vindo dele, deve amá-lo com temor e amor, como ama ao nosso Senhor. Do mesmo modo, o homem deve amá-la como seu corpo, porquanto ela é sua carne, conforme se depreende da passagem de Gênesis supracitada.

Portanto, àqueles que interpretam erroneamente a passagem de São Paulo, digo-vos que se equivocam. O apóstolo jamais disse que o é melhor manter-se só do que se casar. Cada ser humano, devidamente digno e criado à imagem e semelhança de Deus, possui uma vocação, seja ela matrimonial ou sacerdotal.

Ademais, apesar de o celibato ser superior ao matrimônio (vide o Concílio de Trento), no casamento vive-se a castidade com a fidelidade recíproca, sendo a união entre o homem e a mulher sagrada, um sacramento da Santa Igreja.

Frise-se que o ato sexual no casamento, em si, não é inerentemente pecaminoso, pois tem o intuito de procriação. Logo, seguir por essa linha de raciocínio faz com que o hermeneuta não tenha escrúpulos na análise da tradição e das Escrituras.

Assim, o matrimônio é um sacramento, não banalidade. Cada ser humano possui uma vocação, do latim significa chamado (de Deus), e não se deve invalidar ou desprezar o chamado das pessoas.

 

III. Conclusão:

Em suma, é imperioso concluir que o casamento não é uma banalidade, mas um sacramento da Santa Igreja Católica. A ideia de que o celibato é objetivamente superior foi conferida no Concílio de Trento. No entanto, conforme argumentamos, Paulo de Tarso diz que nem todos têm essa vocação, sendo a vocação ordinária (comum) o matrimônio (1 Cor 7:7).

No mesmo sentido, analogicamente o apóstolo diz que o homem deve amar a mulher como Cristo amou a Igreja, sendo com ela uma só carne e o seu líder. Da mesma forma, a mulher deve amar o homem e ser a ele submissa como é a Deus e Jesus Cristo.

Portanto, a tese de que o matrimônio é sagrado, porquanto é um sacramento e Deus, no princípio, cria o homem e dá a ele uma companheira, para que ambos amem-se mutuamente, cresçam juntos e multipliquem-se.

 

Post Scriptum:

A mulher virtuosa, quem achará? Mais rara que o ouro de Ofir – diz o Rei Salomão. Digo-vos, se tiveres vocação matrimonial, que se casem com ela, caso a encontre. Casamento é sacramento; celibato também. Ambos são formas de viver a castidade, apesar de o mundo, dominado por seu príncipe (vide: Satanás), querer vos desviar para caminhos sinuosos.

Não se enganem: por ambos os caminhos, o comum e o extraordinário (matrimônio e celibato), levar-te-ão para os céus, vindo a ver a face de Deus Pai, Todo Poderoso.

 

Por Erick Labanca