Economia

Crise Econômica Migração de Empresas Brasileiras para o Paraguai tem mais a ver com crise que com impostos.

Dados mostram que a persistência da crise da economia nacional afasta empresas mais que alta carga tributária

RPor Rafael Queiroz
8 de jun. de 20262 Visitas
Crise Econômica Migração de Empresas Brasileiras para o Paraguai tem mais a ver com crise que com impostos.

O crescimento do número de empresas brasileiras instaladas no Paraguai ao longo da última década costuma ser explicado quase exclusivamente pela diferença tributária entre os dois países. Embora os incentivos fiscais paraguaios sejam inegavelmente atrativos, essa interpretação ignora um elemento mais profundo: a persistente estagnação da economia brasileira desde a recessão de 2014-2016. Nos últimos dez anos, o Brasil alternou períodos de crescimento modesto, recuperação incompleta, elevada volatilidade fiscal e baixo dinamismo produtivo. Nesse contexto, a busca por novos locais de produção reflete não apenas uma tentativa de reduzir impostos, mas sobretudo uma reação à dificuldade de expandir negócios em um mercado que cresce lentamente há mais de uma década.

Os dados mostram que o movimento de transferência de operações para o Paraguai ganhou força justamente após a grande recessão brasileira. O país vizinho passou a atrair investimentos industriais graças à estabilidade macroeconômica, energia barata, previsibilidade regulatória e crescimento relativamente consistente. Enquanto isso, empresas brasileiras enfrentavam consumo doméstico enfraquecido, juros elevados durante longos períodos, incertezas políticas recorrentes e baixo crescimento da produtividade. Em outras palavras, a tributação tornou-se um problema mais visível porque passou a incidir sobre margens de lucro cada vez menores em uma economia estagnada. Se o mercado brasileiro estivesse crescendo de forma robusta, muitas empresas provavelmente absorveriam custos tributários mais elevados em troca do acesso ao maior mercado consumidor da América do Sul.

Por essa razão, a migração empresarial para o Paraguai deve ser entendida menos como uma simples fuga tributária e mais como sintoma de uma crise estrutural de competitividade da economia brasileira. Países com carga tributária elevada podem continuar atraindo investimentos quando oferecem crescimento econômico, produtividade e segurança institucional. O problema brasileiro é que, durante grande parte da última década, esses elementos avançaram lentamente ou permaneceram insuficientes para compensar os custos de produção. Assim, a saída de empresas para o Paraguai não revela apenas a busca por menos impostos, mas principalmente a dificuldade do Brasil em recuperar um ambiente econômico capaz de sustentar investimentos de longo prazo.