Deus da fé e o Deus da vontade: como a interpretação livre gera a escravidão do pecado
Erick Labanca Garcia é graduando em Direito e escritor.

Atualmente, muitas pessoas "cristãs" fazem uso da aludida religião para justificarem suas vontades tendo como base uma interpretação própria da palavra de Deus. Creem que não estão errando contra Deus quando tomam a conduta X, Y ou Z que, claramente, é contrária à moral cristã. Todavia, a fé em Jesus Cristo não é embasada na vontade, mas na renúncia de si mesmo e no amor pela cruz.
Trazendo a discussão para o âmbito católico, é fato que nem todos são obrigados a aderir ao catolicismo. No entanto, todo católico, necessariamente, precisa seguir os dogmas da Igreja. Primeiramente, a Igreja Católica é fundada por Cristo, que nomeia Simão, também chamado Pedro, como o primeiro Papa, dando a autoridade para guiar os fiéis do Messias (leia o Evangelho segundo São Mateus, pois o referido excerto está lá). Sendo assim, a Igreja Católica possui autoridade dada por Jesus, logo, quem não segue seus dogmas, está em desarmonia com Deus. Portanto, o católico deve se ater aos dogmas da Igreja, sob pena de se sujeitar à excomunhão por heresias reiteradas.
No mesmo sentido, a Santa Igreja Católica, possuindo autoridade, deve interpretar os textos do cânon bíblico juntamente com a tradição apostólica. No catolicismo, a noção equivocada de que cada cristão interpreta a palavra de Deus conforme sua hermenêutica é contrária aos três pilares da Igreja, quais sejam: Bíblia, Tradição e Magistério. A primeira refere-se à Sagrada Escritura; a segunda refere-se à tradição dos apóstolos; a terceira faz alusão à autoridade concedida por Cristo ao Papa e a toda ordem religiosa sacramental. Assim, a noção de hermenêutica livre, conforme o pensamento protestante, não se coaduna com a Igreja Católica, pois um leigo não possui autoridade para a interpretação da palavra de Deus, mas apenas o Papa, Bispos e Presbíteros ou Sacerdotes.
Em terceiro plano, toda esse pensamento, eminentemente herege, acerca dos dogmas católicos é errôneo, uma vez que se prega um Deus de vontade, não de renúncia. Há diversas passagens dos Evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João que refutam as teses contrárias às defendidas por este autor. A fé em Jesus exige uma mudança interior, um toque da graça Dele em nossos corações, com a finalidade de, efetivamente, mudarmos nossa conduta e deixar nosso passado para trás. Ora, Jesus afirma: aquele que se sujeita ao pecado, dele é escravo; aquele que o segue, é verdadeiramente é livre, pois Ele é o caminho, a verdade e a vida. Logo, o erro, ou pecado, apresenta-se doce como mel, mas, na realidade, é amargo como fel. Transforma-te ele em um escravo de Satanás, servo da iniquidade e da injustiça.
Conclui-se, diante do exposto, que a teologia da vontade e a livre interpretação são danosas aos cristãos, tendo em vista que a Igreja Católica possui a autoridade para ligar o céus e a Terra e, portanto, ditar os dogmas - não sendo ela um espaço para fazer o que queremos, mas para seguirmos a Cristo; além disso, Deus é amoroso, sua misericórdia é eterna, todavia, seguir nossas vontades nos leva à verdadeira escravidão do pecado, enquanto que sendo servos de Jesus Cristo, somos efetivamente livres.
Por Erick Labanca