É lamentável: Toffoli será relator de pedido para abertura da CPI do Banco Master
Toffoli foi definido como relator, no STF, do pedido para obrigar a Câmara a instalar a CPI do Banco Master, em um desdobramento que amplia o desgaste institucional do caso.

Brasília — A definição de Dias Toffoli como relator, no Supremo Tribunal Federal, do pedido que busca obrigar a Câmara dos Deputados a instalar a CPI do Banco Master aprofunda ainda mais a sensação de desgaste, descrédito e confusão institucional em torno de um caso que já abalou a confiança pública. O sorteio colocou nas mãos do ministro justamente a análise de uma medida ligada a um episódio do qual ele próprio já havia se afastado anteriormente, após revelações envolvendo sua relação com Daniel Vorcaro, dono da instituição financeira.
O pedido foi apresentado pelo deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), que recorreu ao STF para tentar forçar a abertura da comissão parlamentar de inquérito. Segundo a CNN Brasil, o parlamentar já reuniu a assinatura de um terço dos deputados, número suficiente para viabilizar a CPI, mas o presidente da Câmara, Hugo Motta, ainda não tomou decisão sobre a instalação da comissão.
O que se vê, mais uma vez, é um quadro profundamente lamentável: um caso de enorme repercussão política e institucional segue cercado por impasses, omissões e decisões que, em vez de dissiparem as dúvidas, tendem a ampliá-las. Quando uma investigação de interesse público depende de judicialização para sair do papel, o sinal emitido às claras é o de falência dos mecanismos normais de fiscalização política.
A escolha de Toffoli para relatar o pedido inevitavelmente reacende questionamentos. Ainda que o sorteio siga rito formal, o fato de o ministro voltar a aparecer no centro de uma discussão relacionada ao caso Master, depois de já ter se afastado de sua relatoria em outro momento, impõe um constrangimento adicional ao Judiciário e alimenta a percepção pública de que o caso se tornou um labirinto institucional.
Mais grave do que o nome do relator, porém, é o retrato geral: um Congresso que hesita em exercer seu dever de investigar, um Supremo chamado a arbitrar aquilo que deveria ser resolvido no âmbito parlamentar e um escândalo que, a cada novo capítulo, vai corroendo a confiança da população nas instituições. Em vez de transparência e firmeza, o país assiste a uma sucessão de movimentos que tornam tudo mais nebuloso.
A CPI do Banco Master deveria representar um instrumento de esclarecimento rigoroso, prestação de contas e apuração política. Mas, antes mesmo de nascer, já está envolta em controvérsias que enfraquecem sua credibilidade potencial. É lamentável que um tema de tamanha gravidade chegue a esse ponto: cercado por inércia, judicialização e sombra de suspeitas, quando o que o Brasil mais precisa é de luz completa sobre os fatos.