E-mails revelam proximidade inédita entre Primeiro-Ministro israelense e Jeffrey Epstein
Novo capítulo no escândalo Epstein: uma investigação baseada em e-mails vazados revela detalhes da extensa relação entre o financista condenado e o ex-primeiro-ministro e ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak. Os documentos mostram uma parceria que abrangeu negócios privados, assessoria política e esforços de diplomacia paralela em favor de interesses israelenses.

Os e-mails, que cobrem o período de 2013 a 2016, apresentam Epstein como uma figura central na vida de Barak após sua saída do cargo de ministro da Defesa em 2013. A relação era muito mais profunda e variada do que o reconhecimento público anterior de um simples contato de negócios.
| Negócios e Finanças | Epstein atuou como conselheiro, sócio e "solucionador de problemas" para múltiplos empreendimentos de Barak. | Avaliação de startups de drones e energia solar, e tentativa de venda de um império de petróleo e gás por US$ 1,6 bilhão. |
| Assessoria Política e de Imagem | Epstein revisava e editava artigos de opinião de Barak e o aconselhava sobre relações públicas. | Edição de um artigo de Barak sobre as relações EUA-Israel, com "erros elementares de ortografia" característicos de Epstein. |
| Diplomacia Paralela | Epstein facilitou encontros e serviu como canal de comunicação para Barak com líderes mundiais. | Organização de um encontro privado entre Barak e Vladimir Putin em 2013 para discutir a guerra na Síria. |
| Conexões de Elite | Epstein funcionou como um "conector" para Barak, apresentando-o a figuras poderosas de vários setores. | Conexões com o ex-presidente francês Nicolas Sarkozy, o bilionário Peter Thiel e o intelectual de esquerda Noam Chomsky. |
O vínculo com inteligência e segurança
As descobertas mais sensíveis dos e-mails dizem respeito à atuação de Barak e Epstein como facilitadores de interesses de segurança israelenses em outros países, um papel que Barak continuou a desempenhar mesmo após deixar o governo.
Um caso detalhado envolve Côte d'Ivoire (Costa do Marfim). Emails e agendas mostram que, enquanto Barak, ainda como ministro da Defesa, se reunia com o presidente marfinense em Jerusalém, o filho do presidente estava em Nova York para um encontro com Epstein. Após deixar o cargo, Barak, com assistência de Epstein, trabalhou para fechar um acordo de segurança que incluía um centro de vigilância de comunicações móveis e internet para o país africano.
Outras iniciativas similares incluem:
* Mongólia: Epstein usou sua rede para ajudar a expandir a indústria israelense de guerra cibernética no país.
* Rússia: Epstein atuou como um canal de comunicação informal entre Barak e o Kremlin durante a guerra civil síria, tentando angariar apoio russo para a remoção do presidente Bashar al-Assad.
* Hospedagem de Oficial de Inteligência: Yoni Koren, ex-assessor de Barak descrito como um oficial de inteligência com ligações profundas, hospedou-se por semanas no apartamento de Epstein em Manhattan entre 2013 e 2015.
Repercussões e silêncio na mídia
A publicação desses e-mails coloca Barak em uma posição difícil. Ele sempre negou qualquer relação profissional ou de negócios significativa com Epstein, mas as correspondências revelam uma parceria operacional ativa e contínua mesmo após a condenação criminal de Epstein em 2008.
A reação da grande mídia corporativa internacional a essas revelações específicas tem sido limitada. Analistas e veículos de mídia independente apontam para um "código de silêncio" ou uma relutância em explorar as ramificações políticas mais amplas dos laços de Epstein com o Estado israelense. Enquanto a cobertura tradicional do caso Epstein frequentemente se concentra nos aspectos criminais e nas celebridades envolvidas, as implicações geopolíticas e de inteligência recebem menos atenção.
"Há uma riqueza de informações. Eles [a grande mídia] não estão analisando, não querem falar sobre isso", disse Murtaza Hussain, repórter do Drop Site News, que vem liderando a cobertura desses vazamentos.
A publicação contínua de documentos relacionados a Epstein, tanto pelo Congresso dos EUA quanto por grupos de hackers, sugere que este provavelmente não é o último capítulo na revelação da extensão e da natureza de sua rede global.