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EUA aceitam termos de Teerã e transformam guerra contra o Irã em derrota estratégica

A tentativa dos Estados Unidos de dobrar o Irã terminou com um acordo que preserva os principais instrumentos de soberania de Teerã: controle sobre o Estreito de Ormuz, manutenção do programa de mísseis e um fundo de reconstrução estimado em US$ 300 bilhões.

EPor Eduardo Carvalho
15 de jun. de 20268 Visitas
EUA aceitam termos de Teerã e transformam guerra contra o Irã em derrota estratégica

A guerra lançada pelos Estados Unidos contra o Irã terminou não com a queda do governo iraniano, não com a destruição de seu programa militar e muito menos com a submissão de Teerã à ordem yankee-sionista. Terminou, ao contrário, com Washington obrigado a aceitar um acordo que reconhece, na prática, aquilo que a campanha militar pretendia destruir: a soberania estratégica da República Islâmica.

O acordo preliminar entre Estados Unidos e Irã prevê o fim das hostilidades, a reabertura do Estreito de Ormuz e a retirada do bloqueio naval norte-americano contra os portos iranianos. A assinatura formal está prevista para ocorrer na Suíça, enquanto Trump já anunciou que o estreito será reaberto com a assinatura do entendimento.

O ponto mais simbólico é Ormuz. Durante a guerra, Washington tentou transformar o controle da passagem marítima em instrumento de chantagem contra Teerã. O resultado foi o inverso: a versão iraniana do acordo sustenta que o país não abrirá mão de nenhuma autoridade sobre o estreito e que os Estados Unidos não terão papel em sua administração futura. A segurança e a navegação ficariam nas mãos dos Estados costeiros da região, com tratativas diretas entre Irã e Omã.

Também pesa contra Washington a questão econômica. O rascunho do acordo divulgado por veículos internacionais fala na liberação de ativos congelados iranianos e na criação de um fundo de reconstrução de US$ 300 bilhões para o Irã. A imprensa norte-americana tenta suavizar o impacto político da concessão, afirmando que os recursos poderiam vir de países do Golfo e dependeriam de condições futuras; ainda assim, o simples fato de essa cifra aparecer no centro das negociações já demonstra que Teerã não saiu da guerra como réu, mas como parte indenizável.

Outro elemento decisivo é a manutenção do programa de mísseis iraniano. Uma das exigências centrais dos Estados Unidos e de Israel era limitar ou desmantelar a capacidade balística do Irã. O acordo, porém, não inclui essa rendição. Pelo contrário: as negociações foram deslocadas para o campo nuclear, deixando de fora o programa de mísseis e outras exigências israelenses e norte-americanas.

Politicamente, isso representa uma derrota de primeira grandeza para o bloco atlanticista. A guerra foi vendida como demonstração de força, mas terminou com Trump buscando um acordo com o mesmo regime que prometia isolar e destruir. O governo iraniano permanece de pé, o Estreito de Ormuz segue sob autoridade regional, o programa de mísseis não foi eliminado e Teerã ainda sai da mesa com promessa de alívio econômico e reconstrução.

A derrota não é apenas militar. É geopolítica. Os Estados Unidos demonstraram que já não conseguem impor, sozinhos, sua vontade ao Oriente Médio. Atacam, ameaçam, bloqueiam, bombardeiam — mas, ao final, precisam negociar. O Irã, por sua vez, mostrou que sua capacidade de resistência, sua posição geográfica e seu arsenal estratégico são suficientes para transformar a agressão inimiga em custo político para Washington.