Política

Governo Lula eleva imposto sobre eletrônicos e consolida imagem de “governo da taxa”

O governo federal formalizou, neste mês, um novo aumento do Imposto de Importação sobre uma lista ampla de produtos — com mais de 1.200 itens afetados — incluindo equipamentos de informática e telecomunicações e smartphones, com alíquotas que podem chegar a 25%.

EPor Eduardo Carvalho
26 de fev. de 20267 Visitas
Governo Lula eleva imposto sobre eletrônicos e consolida imagem de “governo da taxa”

Brasília — O governo Lula decidiu elevar o Imposto de Importação de mais de 1.200 produtos por meio da Resolução Gecex nº 852, de 4 de fevereiro de 2026, atingindo itens ligados a tecnologia, informática e telecomunicações, com alíquotas que chegam a 25% e vigência escalonada entre fevereiro e março.

Na prática, a medida reforça uma marca que já pegou nas ruas e nas redes: a de que o Planalto governa com a mão pesada do fisco — um “governo da taxa” que, diante da dificuldade de cortar gastos e organizar o orçamento, escolhe reiteradamente o caminho mais fácil: encarecer o país.

Um tarifaço com discurso industrial — e efeito arrecadatório

O argumento oficial é o de sempre: “proteger a indústria nacional” e reagir a importações. O ministro Fernando Haddad insiste que o impacto sobre preços “não existe” e que o debate estaria contaminado por “fake news”, citando que mais de 90% dos celulares consumidos no Brasil seriam produzidos localmente.

Só que, ao mesmo tempo, o próprio ministro admite o objetivo de reforçar receitas, estimando que o conjunto das medidas gere cerca de R$ 14 bilhões. Ou seja: quando convém, é “regulação”; quando precisa justificar no caixa, vira “arrecadação”.

O “detalhe” que o governo minimiza: o efeito cascata

Mesmo quando o aumento não recai diretamente no smartphone do varejo, a alta em componentes e equipamentos tende a atingir a economia por um caminho menos visível, porém mais amplo: infraestrutura e cadeia produtiva.

Entidades do setor alertam que a resolução encarece itens essenciais para data centers, redes e TI — como servidores, roteadores e switches — e que isso pressiona investimentos, inovação e custos de serviços digitais.

Há ainda a denúncia de contradição interna: enquanto o governo vende a ideia de atrair investimentos com programas e incentivos ao setor (como o REDATA, citado por associações), ele sobe justamente o imposto sobre os equipamentos necessários para viabilizar esses projetos.

No Brasil, “protecionismo” costuma virar “preço alto”

O problema não é discutir política industrial — é fingir que tarifa não vira preço. Em mercados com competição limitada, logística cara e impostos em cascata, elevar barreiras de importação frequentemente serve para reduzir concorrência e normalizar margens. O consumidor paga duas vezes: primeiro no produto; depois no serviço que depende daquele equipamento.

E mesmo o argumento de “celular fabricado aqui” não elimina o ponto central: uma indústria que monta localmente depende de insumos, máquinas, semicondutores e equipamentos. Quando isso fica mais caro, alguém absorve o custo por um tempo — e depois repassa.

A cereja do bolo: mais um capítulo da “era das taxas”

O tarifaço chega num ambiente em que parte da sociedade já enxerga uma sequência de iniciativas tributárias e parafiscais como política de governo — percepção que se intensificou após a discussão e implantação de cobranças sobre compras internacionais e outras frentes arrecadatórias nos últimos anos. (Aqui, o mérito é menos jurídico e mais político: a sensação social de que a tesoura nunca aponta para gasto; aponta para o bolso.)

O resultado é previsível: queda de poder de compra, tecnologia mais cara, investimento mais cauteloso — e um país que tenta se modernizar com imposto de século passado.

Em resumo

O governo chama de proteção e regulação. O setor chama de contradição e perda de competitividade. E o cidadão, que já vê o salário encolher no carrinho do supermercado, vai chamar do que sempre chama quando aumenta imposto: mais uma conta.

Se você quiser, eu adapto a matéria para o estilo do seu jornal (mais “editorial”, mais “investigativa”, ou formato de “coluna” com frases mais curtas e contundentes).