Especialistas e Institutos falam de gasto de 50% da renda das classes baixas com comida e não 25% como alega o IBGE.
RPor Rafael Queiroz
•14 de fev. de 2026•17 Visitas•
O IPCA, calculado pelo IBGE e utilizado como bússola pelo Banco Central do Brasil, é apresentado como a medida oficial da inflação brasileira. Sua metodologia é pública e alinhada a padrões internacionais. O problema central, porém, não é formal — é estrutural. O IPCA mede uma média estatística ampla, mas a inflação não é vivida na média: ela é sentida no orçamento concreto das famílias.
Dados da própria Pesquisa de Orçamentos Familiares indicam que famílias de baixa renda comprometem parcela muito maior da renda com itens essenciais. Estudos e levantamentos recentes mostram que, nas classes mais pobres, o gasto com alimentação pode chegar a aproximadamente 50% da renda. Esse número é decisivo.
Se a alimentação pesa cerca de 25% na cesta média do IPCA, mas representa 50% no orçamento real da família pobre, temos um descompasso matemático claro.
Vamos à simulação simples.
Suponha que, em determinado ano:
Alimentos sobem 12%.
Demais itens sobem 4%.
No IPCA (peso de 25% para alimentos): dá uma Inflação oficial de 6%.
Agora, para uma família que gasta 50% da renda com comida:
Inflação real dessa família é 8%.
A diferença não é trivial. É 33% maior do que a inflação oficial.
Se alimentos subirem 15%, o desvio cresce ainda mais: quase 10% de inflação efetiva contra menos de 7% no índice oficial.
Além disso, a metodologia admite substituição de produtos: se a carne sobe muito, considera-se a migração para proteínas mais baratas. Do ponto de vista estatístico, isso suaviza o índice. Do ponto de vista social, significa perda de padrão alimentar o que significa que as coisas não estão melhorando mas piorando.