Política

O Falso Nacionalismo Brasileiro

O Brasil nasceu católico e se quiser recuperar a saúde moral de seu povo e de suas instituições deve voltar a sê-lo.

FPor Felipe Lencioni
15 de fev. de 202680 Visitas
O Falso Nacionalismo Brasileiro

Quase sempre e principalmente em época de eleição surge, no debate público, um discurso inflamado de “amor ao Brasil” que se limita a palavras de ordem, bandeiras do país e promessas de crescimento econômico. Fala-se em soberania, em indústria forte, em independência geopolítica. Tudo é legítimo. Mas há uma pergunta que precisa ser feita: sobre quais fundamentos espirituais e históricos se sustenta esse nacionalismo? Sem raízes, ele não passa de retórica. E, no caso brasileiro, sem o catolicismo, não existe verdadeiro nacionalismo.

Antes da chegada dos portugueses, não havia aqui uma civilização, uma pátria organizada ou uma consciência nacional. Existiam várias tribos, culturas e línguas, muitas vezes em conflito entre si. Não se trata de negar a dignidade dos povos indígenas, mas de reconhecer um fato histórico, não havia um Estado, nem instituições permanentes, nem uma unidade política ou cultural que pudesse ser chamada de Brasil.

É com a chegada de Portugal que nasce a Terra de Santa Cruz. E não apenas com um objetivo econômico, como tentam afirmar falsamente os marxistas e liberais, mas como uma obra civilizacional. Foram os portugueses que trouxeram as primeiras instituições estáveis, a administração, as Santas Casas de Misericórdia, embriões dos primeiros hospitais. Foram eles que lançaram as bases daquilo que hoje chamamos Brasil.

A ação missionária foi decisiva. A Companhia de Jesus assumiu papel central na evangelização e na organização social das novas terras. Entre seus membros, destaca-se o heroísmo de São José de Anchieta, que enfrentou perigos, doenças e conflitos para catequizar, educar e pacificar. Anchieta não foi apenas um missionário, foi um dos fundadores espirituais do Brasil, ajudando a formar uma identidade que transcendia etnias e tribos sob a mesma fé.

Tal unidade começaria a se manifestar de modo concreto na Batalha de Guararapes. Brancos, negros e indígenas lutaram lado a lado contra a invasão holandesa. Mais do que um confronto militar, Guararapes simboliza o nascimento de um povo consciente de si. Sob a mesma fé e sob a mesma bandeira, diferentes origens se reconheceram como parte de uma só terra.

O que uniu esses homens não foi apenas um interesse econômico ou uma estratégia política. Foi uma cosmovisão comum, uma fé partilhada, uma compreensão de ordem moral que vinha da Igreja. O catolicismo não foi um elemento periférico: ele moldou as leis, as festas, o calendário, a arquitetura, a educação, a família e a própria noção de autoridade. Em suma, estruturou a civilização brasileira.

Por isso, o nacionalismo que ignora essa herança é um nacionalismo vazio. Defender apenas a soberania nacional ou o desenvolvimento industrial é insuficiente. Uma pátria não vive só de aço e fronteiras. Vive de alma. E a alma do Brasil foi formada pela Fé Católica.

Se o Brasil nasceu sob o sinal da Cruz, qualquer projeto nacional que pretenda tirar o madeiro do centro da Pátria, compromete a própria identidade que diz defender. Sem a religião que praticamente construiu o país, suas instituições, sua cultura e sua unidade, o nacionalismo se reduz a pragmatismo político.

Um verdadeiro nacionalismo brasileiro precisa reconhecer que a nação não é apenas território e mercado, mas também tradição, doutrina e fé. Sem esse fundamento, restará apenas um nacionalismo sem sentido.

Contrariando os judeus que diziam ao serem perguntados por Pilatos: "Ireis crucificar mesmo o Vosso Rei?" e eles responderam: "Nós não temos outro rei senão César." (João 19: 15).

Nós devemos dizer a todos: "Nosso único Rei é Nosso Senhor Jesus Cristo e sem Ele nenhum projeto de Pátria dará certo."