Política

Quaest divulgada hoje mostra empate entre Lula e Flávio Bolsonaro no 2º turno e aumento da desaprovação ao governo

A nova rodada da Genial/Quaest, divulgada hoje, 11 de março de 2026, indica um cenário mais apertado para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na corrida eleitoral: além de empatar numericamente com Flávio Bolsonaro em um dos cenários de segundo turno, o petista viu crescer a desaprovação ao seu governo, num sinal de desgaste político que pode influenciar diretamente a disputa de 2026.

EPor Eduardo Carvalho
11 de mar. de 202621 Visitas
Quaest divulgada hoje mostra empate entre Lula e Flávio Bolsonaro no 2º turno e aumento da desaprovação ao governo

A pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira, 11 de março de 2026, acendeu o alerta no Palácio do Planalto e reforçou a leitura de que a corrida presidencial de 2026 entrou em nova fase. Pela primeira vez na série recente do instituto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece em empate numérico com o senador Flávio Bolsonaro (PL) em um cenário de segundo turno: 41% para cada lado, com 16% de brancos e nulos e 2% de indecisos.

O dado mais simbólico do levantamento é justamente a redução da vantagem de Lula sobre o principal nome do campo bolsonarista testado nesta rodada. Em fevereiro, a distância era de cinco pontos; agora, desapareceu dentro do retrato numérico apresentado pela Quaest. O resultado sugere um cenário mais competitivo e aponta para maior dificuldade do presidente em converter a força da máquina federal em dianteira confortável na disputa nacional.

Apesar do empate com Flávio Bolsonaro no confronto direto de segundo turno, Lula ainda mantém vantagem sobre outros adversários testados pela pesquisa. Contra Ratinho Júnior (PSD), o presidente aparece com 42%, ante 33% do governador paranaense. Já contra Romeu Zema (Novo), Lula marca 44%, contra 34% do mineiro. Segundo a própria rodada divulgada hoje, a vantagem de Lula nos demais cenários de segundo turno varia de 9 a 21 pontos percentuais.

No primeiro turno, a pesquisa também mostra um quadro mais apertado do que o desejado pelo Planalto. Lula lidera apenas dois cenários e empata tecnicamente com Flávio Bolsonaro em outros cinco, com o petista oscilando entre 36% e 39% das intenções de voto, enquanto o senador varia entre 30% e 35%. Entre os demais nomes testados estão Ratinho Júnior, Ronaldo Caiado, Eduardo Leite, Romeu Zema, Renan Santos e Aldo Rebelo, mas nenhum deles se aproxima do peso eleitoral dos dois polos principais.

A rodada de hoje traz ainda outro sinal politicamente sensível para o governo: a desaprovação de Lula subiu para 51%, enquanto a aprovação ficou em 44%. Em fevereiro, os números eram 49% de desaprovação e 45% de aprovação; em janeiro, 49% e 47%, respectivamente. A diferença entre os dois índices, que era de apenas um ponto em dezembro, agora chegou a sete pontos, indicando deterioração gradual da percepção sobre a gestão federal.

Na avaliação geral do governo, o quadro também piorou. A gestão Lula é considerada negativa por 43%, positiva por 31% e regular por 25%. Além disso, 59% dos entrevistados disseram que Lula não merece continuar no cargo por mais quatro anos, contra 37% que defendem um novo mandato. Entre mulheres, pela primeira vez nesta série, a desaprovação superou a aprovação, e entre jovens de 16 a 34 anos a desaprovação chegou a 56%.

Outro ponto relevante é o desgaste dos dois principais protagonistas da polarização. Nos dados de rejeição, 56% dizem conhecer Lula e não votar nele, enquanto 55% afirmam o mesmo sobre Flávio Bolsonaro. Isso indica que, embora o senador tenha crescido a ponto de encostar no presidente, ambos carregam níveis altos de resistência, o que pode tornar a campanha ainda mais agressiva e imprevisível nos próximos meses.

A pesquisa mostra, portanto, dois movimentos simultâneos: de um lado, Lula ainda preserva centralidade eleitoral e segue competitivo contra quase todos os nomes colocados na mesa; de outro, o bolsonarismo encontra em Flávio Bolsonaro um nome capaz de rivalizar diretamente com o presidente, ao menos neste momento. O retrato divulgado hoje não encerra a disputa, mas confirma que a eleição de 2026 está longe de ser uma corrida de favorito isolado.