Economia

Taxas do Governo Lula sobre eletrônicos ameaçam indústria nacional.

Especialistas apontam que os novos impostos vão encarecer a produção interna.

RPor Rafael Queiroz
27 de fev. de 20266 Visitas
Taxas do Governo Lula sobre eletrônicos ameaçam indústria nacional.

O terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva recolocou a política industrial no centro da agenda econômica, com o lançamento do programa Nova Indústria Brasil, que promete reverter décadas de desindustrialização e fortalecer cadeias produtivas estratégicas, incluindo o setor de eletrônicos. Apesar do discurso voltado à reindustrialização, críticos afirmam que algumas medidas recentes caminham em sentido oposto, especialmente no que diz respeito à competitividade e aos custos de produção no país.

Um dos principais pontos de contestação é o aumento de tarifas de importação sobre uma ampla lista de produtos, incluindo equipamentos eletrônicos, componentes e bens de informática. Embora o governo sustente que a medida busca proteger a indústria nacional e estimular a produção interna, analistas argumentam que ela pode elevar os preços ao consumidor e encarecer insumos essenciais para fabricantes instalados no Brasil. Em um setor altamente dependente de cadeias globais de suprimento, o encarecimento de peças e tecnologia pode reduzir margens, frear investimentos e dificultar a modernização industrial.

Para esses críticos, o risco é repetir uma dinâmica histórica: proteção tarifária sem contrapartidas estruturais robustas em inovação, crédito competitivo e inserção internacional. Sem políticas consistentes de pesquisa, desenvolvimento e financiamento de longo prazo, o aumento de barreiras comerciais poderia gerar apenas um mercado interno mais caro e menos competitivo, sem consolidar uma base tecnológica sólida. O debate, portanto, gira menos em torno da intenção declarada de reindustrializar e mais sobre a eficácia concreta dos instrumentos escolhidos para alcançar esse objetivo.