Como avisei: O Estreito de Ormuz e a lógica estratégica do Irã no conflito
O fechamento do Estreito de Ormuz confirmou-se como o principal trunfo estratégico do Irã no conflito, elevando o preço do petróleo e ampliando os custos políticos e econômicos da guerra para seus adversários. Em uma guerra assimétrica, Teerã demonstra que, mesmo com inferioridade militar convencional, pode impor desgaste real ao inimigo por meio de pressão regional, dissuasão indireta e exploração de vulnerabilidades estratégicas.

Eu já havia afirmado, em uma das últimas lives do Jornal A Muralha, às 18h, que um eventual fechamento do Estreito de Ormuz seria o principal instrumento de pressão estratégica do Irã no conflito, pois afetaria diretamente o mercado internacional de energia e ampliaria o custo econômico e político da guerra para seus adversários. Foi exatamente isso que se viu: alta no preço do barril de petróleo e maior pressão interna sobre o governo Trump.
O Irã não é comparável à Síria de Bashar al-Assad, cujo regime foi amplamente fragilizado por divisões internas, deserções e infiltrações em estruturas estatais e militares. Tampouco se confunde com a Venezuela de Nicolás Maduro, que, embora detenha grandes reservas petrolíferas, apresenta limitações militares relevantes e depende de um petróleo pesado e com alto teor de enxofre, o que encarece sua extração, transporte e refino, reduzindo parte de sua flexibilidade geopolítica.
Ao matar um líder octogenário, já fisicamente enfraquecido, mas ainda revestido de grande autoridade moral, filosófica e simbólica, seus inimigos não produziram intimidação estratégica, mas o efeito inverso: converteram-no em mártir e tornaram politicamente mais difícil qualquer possibilidade de acomodação ou acordo por parte do Irã.
Trata-se, portanto, de uma guerra assimétrica: de um lado, uma potência militarmente superior; de outro, um Estado que, sem possuir a mesma capacidade bélica convencional, procura compensar essa desvantagem por meio de instrumentos indiretos, pressões regionais, custos econômicos e meios de dissuasão menos convencionais. Nesse tipo de conflito, a superioridade militar bruta não garante, por si só, a vitória política. E aqui, o Irã vence.
Nesse sentido, o Irã demonstra capacidade de impor custos reais ao inimigo e de resistir politicamente ao conflito. E, se essa dinâmica se mantiver, o regime sionista e seu canhão do norte (EUA) sairão humilhados do conflito.