Direito

Vorcaro ameaça “colocar” o DCM no Inquérito das Fake News enquanto mensagens citam encontros com “Alexandre Moraes”

Mensagens atribuídas a Vorcaro indicaram a intenção de “colocar” o site DCM no Inquérito das Fake News, conduzido no STF pelo ministro Alexandre de Moraes. As mesmas novas revelações do caso apontam menções a encontros com “Alexandre Moraes” e reforçam suspeitas de articulações de bastidores enquanto a PF aprofunda a apuração sobre uma estrutura paralela de pressão, monitoramento e intimidação ligada ao ex-banqueiro.

EPor Eduardo Carvalho
5 de mar. de 202626 Visitas
Vorcaro ameaça “colocar” o DCM no Inquérito das Fake News enquanto mensagens citam encontros com “Alexandre Moraes”

Brasília / São Paulo — Em meio à escalada do caso Banco Master, novas mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro colocaram o Inquérito das Fake News no centro de uma disputa que mistura bastidores de poder, guerra de reputações e suspeitas de influência institucional. Segundo reportagens, Vorcaro teria ameaçado incluir o site Diário do Centro do Mundo (DCM) no inquérito conduzido no STF, ao mesmo tempo em que a investigação sobre o colapso do Banco Master avança com alegações de monitoramento ilegal, intimidação e corrupção — e com diálogos que citam proximidade com autoridades do Judiciário.

A ameaça ao DCM e o uso político do “inquérito do STF”

De acordo com o Poder360, mensagens apreendidas pela Polícia Federal indicariam que Vorcaro reagiu a reportagens negativas e teria dito que colocaria o DCM no “inquérito das fake news” — um procedimento que, por definição, é relatado pelo ministro Alexandre de Moraes no Supremo. Na mesma publicação, o DCM negou ter recebido recursos e afirmou que a sigla citada nas mensagens não se referiria ao veículo.

Em paralelo, outras reportagens apontam que diálogos analisados pela PF mencionariam propostas de “parceria” e valores mensais envolvendo o DCM, em contexto de tentativa de conter desgaste público.

“Encontros com ‘alexandre moraes’”: a revelação que amplia o ruído

O caso ganhou novo combustível após a CNN Brasil noticiar que a PF identificou mensagens em que Vorcaro diz ter tido dois encontros com uma pessoa identificada como “alexandre moraes”, em conversas com sua então noiva (abril de 2025). O conteúdo foi publicado inicialmente pelo Metrópoles e confirmado pela emissora.

Na prática, a coincidência entre:

  1. a ameaça de acionar o Inquérito das Fake News (de relatoria de Moraes) contra um veículo; e

  2. mensagens citando encontros com “alexandre moraes”
    reforça a percepção pública de promiscuidade entre poder econômico, pressão reputacional e instâncias de investigação — mesmo que o significado e a autenticidade contextual dessas menções ainda dependam de apuração formal e do contraditório.

Caso Master: novas fases, novas acusações e a disputa por narrativas

A reviravolta ocorre no momento em que a investigação do Banco Master se intensificou. A Reuters informou que Vorcaro foi detido novamente com a apuração avançando sobre suspeitas de suborno envolvendo ex-diretor do Banco Central, Paulo Sérgio Neves de Souza, também aparece o nome de Bellini Santana (ex-chefe de departamento na área de supervisão bancária do BC), citado como outro ex-integrante do BC sob suspeita de atuar informalmente em favor do Master.

Veículos internacionais também destacaram que o caso passou a incluir acusações de vigilância ilegal e intimidação, com apreensões e congelamento de ativos em valores bilionários, elevando a pressão política e institucional em torno do escândalo.

O aspecto mais explosivo, politicamente, é o subtexto: usar o nome de um inquérito do STF como instrumento de intimidação contra imprensa e críticos, ao mesmo tempo em que surgem menções a canais diretos com figuras centrais de Brasília. É justamente essa interseção — pressão sobre veículos + suposta proximidade com autoridades — que amplia o custo institucional do caso e alimenta cobranças por transparência, perícia completa dos aparelhos e esclarecimento público sobre o alcance das relações reveladas nas mensagens.