
Eduardo Carvalho
"Eduardo Carvalho é professor de História e Filosofia, fundador e editor-chefe do jornal A Muralha. Foi colunista do portal Hermenêutica Política. Trabalhou com coordenação de campanha política nas eleições de 2018 e 2022. Escreve sobre temas de história, filosofia política e política internacional."
Acervo do Autor
Vaticano enfrenta intimidação do Pentágono em meio à escalada belicista dos EUA
A revelação de uma reunião sigilosa entre o Pentágono e o representante do Vaticano nos EUA aprofundou o choque entre Washington e o Papa Leão XIV. Embora o Departamento de Defesa negue que tenha havido intimidação, o episódio ocorre justamente quando o pontífice endurece seu discurso contra a guerra e contra ameaças à população iraniana, reforçando entre católicos a percepção de que a voz moral da Igreja voltou a incomodar o poder temporal.
Teatro das Tesouras: Flávio Bolsonaro opera nos bastidores para entregar vaga no TCU ao PT
A articulação em torno da vaga no TCU expõe mais uma vez o abismo entre o discurso público e a prática real da política brasileira. No centro da manobra aparece Flávio Bolsonaro, que, segundo reportagem publicada nesta quarta-feira, atua para rifar Hélio Negão, favorecer o petista Odair Cunha e, ao mesmo tempo, preservar para o PL a expectativa de controlar a próxima cadeira que se abrir na Corte. O episódio lança luz sobre um jogo de conveniência em que o antagonismo entre PT e PL parece sobreviver mais no palanque do que nos bastidores.
Câmara impõe freio ao “PL da Misoginia” e barra avanço de proposta com viés censório
A paralisação do chamado “PL da Misoginia” na Câmara foi recebida como uma vitória contra uma proposta de redação vaga, potencialmente censória e aberta à perseguição ideológica. Mais do que um revés legislativo, o recuo expôs a resistência ao uso do direito penal como ferramenta de controle do debate público.
Trump ameaça devastação total, recua no último instante e expõe blefe na guerra contra o Irã
Trump ameaçou ampliar devastadoramente a guerra contra o Irã, falou em destruir infraestrutura civil e elevou o discurso a um ponto extremo; horas depois, porém, aceitou uma pausa de duas semanas mediada pelo Paquistão. O recuo, somado à avaliação interna da Casa Branca de que a retórica servia como pressão negociadora, reforça a leitura de que o ultimato das últimas horas teve mais de blefe calculado do que de decisão irreversível.
Como Vargas e a CLT Salvaram o Brasil de uma Revolução Comunista
Em meio ao caldeirão social da República Velha — marcado por trabalho semi-escravo no campo, jornadas extenuantes de até 14 horas nas cidades, repressão policial violenta às greves operárias e a máxima de que "questão social é caso de polícia" — o Brasil caminhava a passos largos para uma convulsão revolucionária de inspiração bolchevique. Foi a ascensão de Getúlio Vargas ao poder, a partir de 1930, e a subsequente institucionalização de direitos trabalhistas consagrados na CLT que desarmaram esse cenário pré-revolucionário, cooptando a classe operária por meio de conquistas legais e esvaziando o apelo das ideias comunistas no país. A tese histórica é clara: sem Vargas e sua política trabalhista, o Brasil teria, muito provavelmente, sucumbido a uma revolução socialista bem-sucedida.
Eduardo Bolsonaro e Nikolas expõem a guerra fratricida da direita brasileira
O atrito entre Eduardo Bolsonaro e Nikolas Ferreira expôs mais do que um desentendimento passageiro. Revelou a guerra fratricida que corrói a direita brasileira por dentro, numa disputa cada vez menos disfarçada por liderança, influência e herança política.
Trump sobe o tom contra o Irã, mas discurso apocalíptico pode esconder mais um blefe calculado
A nova fala de Trump contra o Irã, em tom apocalíptico, parece menos um anúncio inequívoco de ataque imediato e mais uma repetição de seu padrão recente: ameaças máximas, prazos sucessivamente adiados e negociação paralela. O risco de guerra existe, mas o discurso também pode ser lido como blefe estratégico para pressionar o Irã e dominar o noticiário.
Cristo, o Deus da história e da distinção plena entre o justo e o injusto.
Cristo se destaca na história das religiões por unir base histórica sólida e perfeição moral absoluta. Diferente de figuras míticas como Krishna ou Rama, Jesus existiu em contexto concreto e sua vida não apresenta qualquer desvio ético — sendo o parâmetro máximo para distinguir o justo do injusto, especialmente na sua paixão e condenação.
Silvio Almeida e o identitarismo masculino
A reação de Silvio Almeida às acusações feitas por Anielle Franco revela mais do que uma defesa pessoal: expõe o surgimento de uma possível linguagem identitária masculina dentro da própria esquerda. Ao mobilizar a figura do homem negro como vítima de perseguição política, racial e jurídica, o caso sugere como o feminismo identitário pode acabar produzindo, como resposta, um identitarismo masculino moldado pela mesma lógica de fragmentação, vitimização e disputa por reconhecimento.








